sábado, 25 de abril de 2009

ENTRONCAMENTO

BLOCO PROMOVE E PARTICIPA
NAS COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL
Mais de sessenta pessoas participaram hoje num almoço de confraternização e comemoração do 25 de Abril. Durante algumas horas, autarcas, filiados, não filiados, simpatizantes do Bloco e familiares conversaram sobra a vida, reviram amigos e evocaram o 25 de Abril, dia da Liberdade.Depois de uma intervenção política, a marcar o sentido daquele encontro, cantaram-se as velhas canções do Zeca e outras associadas às jornadas do 25 de Abril. O coro, embora não muito afinado..., esforçou-se e deu alegria à jornada de convívio.Mais tarde, na Câmara Municipal, Carlos Matias (na foto) interveio em nome do BE, na sessão solene que teve lugar a meio da tarde. A sua intervenção incidiu no que significa hoje democracia, mais do que uma palavra, um conceito profundamente ligado à vida, afirmando que "aos historiadores cabe a tarefa de escrever a história do 25 de Abril e contar as suas estórias. Aos cidadãos e às cidadãs cabe defender as suas conquistas, aprofundar os seus ideais e, mais importante do que parece, não deixar apagar a memória."Terminou, refrindo-se aos militares de Abril. "Tiveram a visão de uma país livre e mais justo e livre da guerra colonial. E tiveram a coragem de pegar em armas por ele. Aqui está uma vibrante lição de cidadania que a nossa história registará e um exemplo a que nós prestamos um sentido tributo."


B
Intervenção completa de Carlos Matias

Há 35 anos, em 25 de Abril, o golpe militar dos capitães fez ruir o regime e, por essa brecha, irrompeu um amplo movimento popular revolucionário que transformou radicalmente o nosso País.
Aos historiadores cabe a tarefa de escrever a história do 25 de Abril e contar as suas estórias. Aos cidadãos e às cidadãs cabe defender as suas conquistas, aprofundar os seus ideais e, mais importante do que parece, não deixar apagar a memória.
A todos, cabe-nos manter vivo o ideal democrático, no sentido mais avançado das suas conquistas.


O 25 de Abril e as movimentações populares que se seguiram impuseram a dissolução da PIDE, o fim da Censura e da guerra colonial. Arrancaram ganhos salariais significativos, conquistaram o subsídio de férias e o 13º mês, construíram o Serviço Nacional de Saúde geral, universal e gratuito. Levaram a Escola Pública e serviços essenciais a todos os cantos do continente e das regiões autónomas. Impuseram a nacionalização de sectores estratégicos, como o da produção e distribuição de energia eléctrica.
Aliás, o povo português mostrou nas ruas saber que democracia tem a ver com a vida, mais do que com as palavras.


Democracia com serviços públicos de qualidade e para todos --- em oposição às ondas privatizadoras que vieram a seguir, para engordar banqueiros e gestores, alimentar off-shores obscuros, manter contas na Suíça, sustentar ordenadões e prémios chorudos aos rapazes do costume. Tudo com os recursos públicos que são de todos e encaminhando a economia para o desastre que hoje está à vista.


Democracia com respeito e defesa da escola pública de qualidade. Com respeito pelos professores e restantes trabalhadores do ensino, tão atacados recentemente. Com respeito pelos alunos e pelas suas famílias.

Democracia com permanente atenção aos mais fracos, aos desempregados (que já são setecentos no nosso concelho), aos trabalhadores precários, sem salário certo, sem direitos e sem futuro. Com atenção aos mais excluídos do desenvolvimento desigual para onde os do costume, à vez, vêm há anos a arrastar o nosso País.

Democracia com direitos para os trabalhadores, rejeitando os recentes códigos de trabalho que desequilibraram por completo as relações laborais, a favor do patronato.
Democracia com cidadãos informados, com rigor, com visão de futuro e com transparência, preservando acima de tudo o interesse público em detrimento dos interesses privados. ---- seja na gestão económica e financeira, seja no planeamento e na gestão do espaço urbanizavel e urbanizado.
A falta de informação ou as dificuldades criadas ao seu acesso, a opacidade nas decisões da administração, a apropriação privada de dinheiros públicos, esvaídos em negócios escuros ou em má gestão são contrários aos ideais do 25 de Abril. Ontem exigia-se e hoje continua a exigir-se uma gestão transparente, uma democracia participada por cidadãos informados, um confronto democrático leal e aberto.

A democracia exige combate à corrupção e à vigarice, um combate que é um imperativo das lutas de Abril e no qual devemos ser intransigentes.

O 25 de Abril, libertando-nos de uma ditadura, permitiu-nos estabelecer relações com todos os países e povos do Mundo, em pé de igualdade.
Hoje, a democracia e a cidadania conquistadas em 25 de Abril tem de alargar-se à União Europeia, um novo espaço em que se decide o nosso futuro como povo e como país --- um espaço em profunda crise económica, social e política, em resultado do liberalismo imposto em nome da ditadura do mercado.
Democracia á escala europeia quer dizer uma refundação democrática em que, também na Europa, seja o povo quem mais ordena --- e não o mercado. Nos diplomas fundacionais da nova Europa terá de ser incorporado o que de mais avançado existe em cada país, consagrado numa Constituição democraticamente discutida e aprovada.
Bem sabemos que quem nos meteu na crise não nos fará sair dela. Mas, também aí, como em 25 de Abril, sabemos que a participação e a luta dos povos podem impor as necessárias rupturas políticas e encontrar os novos protagonistas que lhes darão rosto.

Termino com uma saudação, justa e devida, aos militares do 25 de Abril.
Tiveram a visão de uma país livre e mais justo e livre da guerra colonial. E tiveram a coragem de pegar em armas por ele. Aqui está uma vibrante lição de cidadania que a nossa história registará e um exemplo a que nós prestamos um sentido tributo
Viva o 25 de Abril!

Voltar à página principal...